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Quando a mulher assume seu papel.

Nos caminhos de seu desterro, abandonada e triste, sofrendo os rigores da aridez do deserto, Hagar não sabe aonde chegará. No passo tardo dos que ruminam mágoas profundas, seus pensamentos peregrinam também, perdidamente. Ismael, o filho contestado, inocentemente, acompanha os passos daquela mulher deprimida, que caminha e soluça cumprindo seu fadário. Podre Hagar! Envolvida naquele drama que quebrou a serenidade do lar de Abraão, é, agora, obrigada a errar naquelas estradas do deserto, curtindo a ingratidão e o desamparo.

O pão e a água que carregam duram pouco. As apreensões avolumam-se naquela oração solitária. Hagar não conhece o caminho, mas sabe que ele é longo. O deserto é sempre um caminho longo. Ainda mais sem forças, sem alento, sem água e sem pão. E apelar para quem? E esperar o quê? Há horas em que a esperança prolongada faz abater o coração. São os momentos da agonia dos sonhos. É o crepúsculo da esperança.

Mas um arbusto no meio daquelas terras calcinadas é mensagem de ressurreição no deserto. E Hagar resolve deixar o filho naquele precário oásis. Que ali ele fique e ali morra. Não sabe como, mas ela prosseguirá na jornada… E com é difícil continuar! Continuar ouvindo os gemidos do filho sequioso e famélico, que cortam a solidão daquelas paragens. Continuar sem conseguir sopitar todas as sombras, os gritos de seu drama cruel.

No meio daquela borrasca formidanda, estronda a voz de Deus. É no fragor das tempestades que se torna, mais clara ainda, a voz divina. Na solidão do deserto, aparece um anjo. Vai ao encontro de Hagar. Transmite-lhe a mensagem de ânimo e de esperança: “Hagar, que tens? Não temas. Deus ouviu a angustia do teu filho!”. Deus não poderia abandonar aqueles peregrinos naquelas circunstâncias. Se Deus tinha um plano para Ismael, se Ismael também era filho de Abraão, como Deus poderia esquecê-lo daquela forma? E são três as ordens que Hagar recebe com referência ao filho.
“Ergue-te” – A crise fora muito grande. A provação, insuportável. A jornada, extenuante. Mas aquela mulher não poderia ficar ali, à beira do caminho dos seus fracassos. O filho precisaria muito dela. De seu apoio. De seu exemplo robusto. De sua fé. Ela não poderia ficar como estava.

“Levanta o rapaz!” Ismael estava debilitado, enfraquecido, caído à sombra do à sombra do arbusto. Precisava ser levantado. Hagar é que o teria de fazer. Era mãe. Há milagres que só o poder perdoador e restaurador do amor materno tem condições de realizar. Como nossos filhos, hoje, estão carentes e sofridos!

“Segura-o pela mão” – O caminho não poderia ser interrompido. A luz brilha depois da escuridão da noite dolorosa. Hagar teria de segurar, firmemente, as mãos frágeis de seu filho amado, que merecia veredas planas, de vitória. Mas tudo dependeria muito de sua dedicação, de sua firmeza. Hoje, mães estão sendo convocadas a assumir o papel indeclinável perante a história de seus filhos. Façam-no, hoje, para que não chorem amanhã, arrependidamente, a criminosa omissão. Há rigores, nestes nossos tempos de deserto. Mas, como Berseba, feliz é a mãe que pode encontrar, no deserto, para seus filhos, a benção de um oásis, a alegria de uma fonte de água cristalinas.

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