“Deus me deu essa oportunidade”

“Deus me deu essa oportunidade”

Aos 42 anos, dos quais 19 anos dedicando-se de tempo integral ao Ministério da Palavra, o pastor Jackson Douglas Pires Martins coordena a área 05 de trabalhos pastorais da AD em São Luís – MA, aonde a igreja vem experimentando notável crescimento, incluindo a construção do atual e suntuoso templo da subsede (Vila Embratel). No passado foi cantor de rock, bancário e músico. Mas ainda adolescente converteu-se ao evangelho após receber uma revelação na qual o Senhor o chamava para sua obra. Casado com a miss. Eliene, o casal tem dois filhos: Mateus e Sara. Pregador incansável, procura, além da mensagem salvadora, saber quais são as demais necessidades pertinentes ao lado social e institucional da igreja. Mestre em Ministério Pastoral e bacharel em Teologia e Direito, leciona disciplinas como Missiologia, Hermenêutica, Homilética, entre outras.  Na última AGO da CEADEMA, em Pedreiras, foi eleito Tesoureiro da Convenção. Nessa edição, para falar sobre esse assunto e sobre os desafios relacionados ao cargo, o jornal CEADEMA EM FOCO traz uma breve entrevista com Pr. Jackson Douglas, secretário executivo de missões da AD em São e Luís e diretor da Rádio FM Esperança. A seguir, a entrevista.

  • CEADEMA EM FOCO –Com tantas ocupações desde o começo do ano, o Jackson 2016 é o mesmo de sempre?
    JACKSON DOUGLAS – Posso dizer que sim, mas fazendo uma observação: agora com necessidade maior de planejar e programar o trabalho com um sistema de gestão participativa. Logo, não poderia ser considerado o mesmo de sempre, em face aos compromissos assumidos. Entretanto, a possibilidade de realizar as tarefas a mim atribuídas, que são verdadeiramente relevantes, ocupa um espaço significativo na minha agenda, o que não poderia obviamente ser de outra forma. Ademais, a viabilidade das ações e tarefas só ocorre em face à existência de equipes funcionais ao meu lado, que empreendem de maneira eficiente e eficaz. De outro modo não seria possível a viabilidade do trabalho. Um homem de Deus em certa ocasião declarou prefiro chamar dez homens para trabalhar, do que fazer o trabalho de dez homens. Eu acredito no trabalho corporativo, onde pessoas bem treinadas e mentoria das buscam no trabalho resultado de excelência. Isto é fato também no ambiente eclesiástico.
  • Em se tratando da relevância dos cargos que o senhor assumiu nesse ano, pode se dizer que foi uma guinada e tanto em matéria de ascensão eclesiástica. O que determina no seu entendimento um obreiro ocupar tantas funções dessa monta?
    Acredito ser a vontade de Deus que é Soberano e estabelece o Seu querer. Nesse entendimento, acrescento ainda o fato de tais oportunidades a mim facultadas, não estarem necessariamente planejadas numa perspectiva meramente humana. Para algumas delas, inclusive, fui convidado a estar. Vale lembrar que Deus tem propósitos para cada um de nós. Eu estou apenas seguindo um direcionamento divino para a minha vida. Creio plenamente que poderia ser qualquer um dos meus colegas obreiros. Entretanto, Deus me deu essa oportunidade. Assim, afirmo que o alinhamento divino guarda passa si o tutorial de nossas vidas. Soli Deo Gloria!
  • Em sua opinião, a busca por status ou por uma posição de “estrela eclesiástica” por parte de um pastor tem respaldo bíblico?
    Claro que não. Em primeiro lugar, acredito que a busca por status ou posição é resposta à vaidade do coração humano. O status como consequência de estar e ser, é natural, mas querer ser ou estar para possuir status é prejudicial à pessoa, a seus pares e a todos que dependem da fluidez de seus talentos e serviços. É nessa esteira, que a Bíblia se posiciona através de seus princípios e preceitos, tais como os extraídos dos textos a seguir: Romanos 12.3; João 13.13-16.
    Com efeito, entrevejo a ideia por trás da expressão “estrela eclesiástica”com certo receio. Nos dias de hoje a deificação do homem e, por conseguinte, o antropocentrismo e ao mesmo tempo, qualquer coisa no centro da vida, tem criado uma gênesis orbital, onde os holofotes eclesiais se firmam sobre alguns que pensam ser mais do que de fato são: apenas servos e cooperadores na obra do Senhor (Romanos 12.2; 1 Coríntios 3.5-9).
  • Como conciliar, na prática, as funções de tesoureiro da Ceadema e diretor da Rádio Esperança FM, além de secretário executivo de missões da AD em São Luís?
    Como foi dito anteriormente, tudo depende de planejamento estratégico, plano operacional, alvos e metas, gestão participativa, equipes eficientes e eficazes e, por fim, utilização de tecnologias. A produção funcional de cada setor decorre de maneira natural sem precisar da minha presença física contínua e direta, apenas diretiva, factual e de mentoria. Esse modelo de gerenciamento participativo permite celeridade do processo de produção de serviços e estabelece fundamentos para a concretude das ações do planejamento.
  • Em termos de responsabilidade, no momento, qual das três atividades está dando mais trabalho ou maiores preocupações e qual a que dá mais prazer?
    Como se tem conhecimento, a Tesouraria da CEADEMA e a Rádio Esperança FM chegaram às minhas mãos recentemente, por conseguinte, o planejamento estratégico que visa melhorias e implementação nesses casos, estão ainda em fase embrionária em nosso plano de trabalho. Portanto, tenho dado maior atenção a essas atividades, sem preterir as ações da Secretaria de Missões, que por graça de Deus jáobserva um planejamento estratégico desde 2010. Quanto ao prazer, imagino existir em mim, de forma dispare, servindo à causa com um coração timoteano, em todas as funções.
  • Há uma expectativa muito grande em relação à Tesouraria da Convenção quanto aos itens credibilidade e transparência, os quais são sempre muito levados em conta pelos obreiros. Nesse particular, o que o senhor já teria a apresentar como resultados da sua atuação?
    É realmente interessante notar o quanto é possível se fazer com a utilização de ferramentas tecnológicas para se obter, com garantias, a transparência no manuseio dos recursos financeiros da Convenção. Estamos em fase de teste do sistema que comumente está sendo denominado de “UCM”, já à disposição no site da CEADEMA. Com esse programa a Tesouraria disponibilizará de serviços de atendimento aos pastores, que antes, demandaria muito tempo e dinheiro para a sua realização. Por exemplo, acessando o programa, o obreiro poderá imprimir boletos, verificar e imprimir extratos das contribuições dizimais e das igrejas, alem de poder atualizar seu cadastro para fins diversos. Alem disso, o obreiro com o celular atualizado na Secretaria da CEADEMA, ao pagar seus dízimos, receberá uma notificação de recebimento de sua contribuição, através de SMS (mensagens de texto). Esse serviço facilita e viabiliza uma prestação de conta prévia com o contribuinte. Acrescenta-se também aqui, a existência de um caminho para resolver problemas e dificuldades através do próprio sistema, onde o obreiro poderá falar comigo ou com qualquer funcionário da Tesouraria no intuito de acelerar as soluções cabíveis para cada caso. Nós ja estamos trabalhando com o novo carnê de contribuições e novo contrato feito com o Banco do Brasil. Deixo meu pedido aos nobres obreiros que não tem ainda o novo carnê, que busquem esse na Tesouraria ou no UCM (site da Ceadema, se o obreiro já estiver com o cadastro atualizado), pois a vantagem do novo carnê consiste em que não poder ser estornável após o pagamento, óbvio. Isso quer dizer credibilidade ou certeza de que a contribuição chegará ao Banco e, por conseguinte, ser encaminhada à conta da Ceadema.
  • Quando se fala da folha de pagamento mensal da CEADEMA, o que se poderia considerar como prioridade?
    Na verdade, a folha de pagamento é ordinária. Portanto, é difícil designar o que é mais importante. Entretanto, obedecendo a uma prática antiga, os jubilados e as viúvas encabeçam a ordem de prioridades, seguidos dos demais.
  • É verdade que o salário dos jubilados e viúvas de obreiros estão atrasando? Por quê?
    É verdade sim, mas não só deles como dos demais, a saber: funcionários, repasse SEMADEMA, repasse Parauapebas etc, pagamento de obreiros licenciados, auxilio a obreiros em exercício e missionários que recebem direto do cofre da CEADEMA. Os atrasos são decorrentes da diminuição na arrecadação dos dízimos e dos 2,5%, a única fonte ordinária de entradas de recursos para atender a fluidez do caixa mensal.
  • Que mensagem daria aos obreiros que são infiéis em suas contribuições?
    Sendo óbvio, sem ser simplista, viver continuamente o que pregamos à igreja: ser fiel nos dízimos, conforme a Bíblia. Lembrando ainda, que a CEADEMA, instituição que administra tais recursos, precisa cumprir os compromissos estatutários e aqueles decididos em Assembleia Geral.
  • Qual episódio que considera mais marcante em sua atuação como secretário de missões da AD em São Luís?
    Destaco o fato de empreender esforços na realização de plantação de igrejas nos cinco continentes. O pastor José Guimarães Coutinho, presidente da Igreja e pastor de missões, planejou e viabilizou a realização dessa proposta, o que se concretizou para a glória de Deus. É também relevante o fato da AD em São Luís, na pessoa do seu presidente, diretoria e colegiado, ter tomado a decisão a alguns anos, de investir 10% de sua renda bruta na obra missionária. Isso repercutiu na possibilidade de avanço grandioso no envio, no cuidado integral do missionário, na plantação de igrejas e desenvolvimento de projetos missionários em treze nações e no apoio de mais uma que é Senegal.
  • Como o senhor reage às críticas?
    Pelo menos tento seguir o conselho predominante para esse caso. Na maioria das vezes, ouvir, analisar, conservar o que é útil, e o mais, descartar para evitar intoxicação emocional. O melhor que você pode ter ao receber uma crítica éter uma consciência limpa e uma vida intencional. A Bíblia diz em Lucas 6.37-38 “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós”. Creio também que Provérbios 9:8-9 merece destaque neste caso: “Não repreendas ao escarnecedor, para que não te odeie; repreende ao sábio, e amar-te-á. Instrui ao sábio, e ele se fará mais, sábio; ensina ao justo, e ele crescerá em entendimento”.
  • Em se falando de ministério pastoral, o que mais faz o seu coração arder?
    Contemplar uma igreja que cresce na palavra (Efésios 4.20-22), amadurecendo espiritualmente com vigor no Espirito (Efésios 4.13-16), tendo cada dia a imagem de Cristo sendo formada nela pelo conhecimento da Palavra (Rm 8.29; 2 Co 3.18).
  • Como o senhor definiria o sucesso de viver?
    Na perspectiva cristã, defino como sendo a realização da vontade de Deus na vida. A isso se propõe a assertiva de Salomão em Eclesiastes 12.13. Creio que o verdadeiro sentido da vida, a isso denomino sucesso de viver, está em conhecer e obedecer a Deus. Penso que o apostolo Paulo me dirige a esse entendimento também no texto a seguir “E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo”(Fp 1.9-10).
  • Por que existem tantas pessoas passando por crise financeira?
    A crise financeira é, na compreensão certa, falta de manuseio correto dos bens e dados econômicos e financeiros de um país e os reflexos da economia global. Na inobservância disso, altera-se o mercado, resultando em escassez de produtos e serviços, seguida de desprovimento na economia nacional e familiar, que éo caso de um país emergente como o Brasil. O principal motivo para a atual crise no Brasil, não está situada só na questão econômica, passa pela questão de credibilidade.  Sabe-se que ninguém aplica dinheiro na mão de um governo que não sabe empregá-lo em prol do desenvolvimento da Nação. Assim sendo, posso dizer que é inegável que o Brasil vive mergulhado numa recessão econômica. Porém, essa crise econômica não veio por acaso, pois, antes de tudo, temos visto uma profunda crise ética e moral, em virtude da inversão de valores presente em nosso país.
  • Há esperança para o Brasil? Qual a solução para a atual crise?
    Apesar das incertezas sobre a recuperação econômica do Brasil, estima-se um cenário que piore ainda mais, antes de soerguer-se. É imprescindível que se atenue, pelo menos, a crise política, a fim de que se recupere a credibilidade econômica do nosso país. Antes de tudo, a crise moral e ética devem ser nomeadas e superadas, assim como observar empiricamente o que diz o salmo 33.12 Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que ele escolheu para sua herança.
  • A formação teológica é realmente indispensável para o obreiro?
    Eu digo que sim, apesar de considerar que muitos obreiros fizeram um bom trabalho para Deus e para sua causa sem ter frequentado um curso de teologia. Não obstante, muito mais eles teriam feito se possuísse um conhecimento teológico e sistemático maior. Sendo assim, é imprescindível o preparo teológico por parte dos obreiros que servem nesse tempo e geração. A recomendação do apostolo Paulo à Timóteo diz “expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé da boa doutrina que tens seguido”(1 Tm 4.6). Compreendo a partir desse texto que o principal papel da formação teológica é conhecer a Deus e seu propósito para a redenção da humanidade, alimentado e alimentando aos que hão de herdar a salvação.
  • Que orientação o senhor daria para o pastor que está se sentindo cansado e esgotado?
    Essa pergunta é extremamente importante. De fato vivemos em tempos de ativismo e desencantos. Há tempos, se observa a necessidade aguda de revermos a maneira de exercemos o Ministério Pastoral. A nossa saúde em geral e, particularmente emocional, depende de como vivenciamos nosso dia-a-dia. São varias as razões para isso. Sugiro algumas perguntas para busca de refrigério na vida pastoral. São elas: Qual foi o chamado original de Deus para a sua vida? Das atividades em que está envolvido, quantas estão relacionadas ao chamado original? O que tem sugado as suas forças físicas e mentais? O que o levou ao cansaço e esgotamento?  O que o obreiro está fazendo agora que não deve continuar, sob pena de mergulhar profundamente num esgotamento? O nobre obreiro tem se autoavaliado constantemente de forma sincera? Estas perguntas com repostas honestas ajudaram o nobre companheiro a buscar um caminho de entendimento e refrigério se, e somente se, tomar as providências necessárias e as mudanças no seu estilo de vida pastoral.
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